Marquesi in USA
     
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Até quando esperar?

 

Desculpem começar a semana revoltada desse jeito, mas tá difícil!

Acho que desde que voltei do Brasil andei envolta numa nuvem e não estava vendo muito o mundo ao meu redor. Agora vejo, e tem muita coisa me incomodando.

Durante os últimos dias tive a oportunidade de discutir e explicar muito sobre o meu país para os americanos. Pessoas genuinamente interessadas em entender o que acontece no nosso país, qual é a nossa história, nossas raízes e as possibilidades para o futuro.

E, meu Deus, isso me emputece muito: as possibilidades são enormes! Há quantos anos não ouvimos a maldita frase “o Brasil é o país do futuro”? Quero o meu futuro agora! Meus pais ouviam essa frase nos anos 50. Hello! Estamos no ano 2004! Quando é o futuro, afinal?

Todo mundo olha de fora para o nosso país e pensa: caramba, eles têm tantos recursos naturais, tanto potencial... serão um gigante logo, logo. E a gente, olhando de dentro pensa: caramba, não aguento mais o potencial. Quero ver esse potencial desenvolvido, em ação. Acordem o gigante adormecido!

Aí eu me pego lendo a capa da Vejinha SP dessa semana. Para quem é de fora de São Paulo, é simples: Sequestro Infantil. Agora estão sequestrando crianças (sim, de até 14, 15 anos) na porta de escolas! Não é o máximo? Você não só morre de medo de sair na rua, como também fica rezando pra que seu filho volte são e salvo pra casa no ônibus da escola – ou até mesmo a pé.

Sei que não é a única forma de violência, que as crianças na periferia sofrem outros tipos de violência e privação, mas acho que isso foi meio que a gota d’água.

Quando a vida da gente chega numa fase em que começa a ser invadida por sobrinhos, afilhados e filhos, o coração da gente amolece. E a gente passa a ter medo.

E o que me vem à cabeça nessa hora, foi o comentário de um americano, quando contamos para ele o medo de dirigir em São Paulo, de ser assaltado em faróis, de ser morto por causa de uma carteira, a realidade que todo paulistano conhece:

“Porque um grupo de cidadãos não levanta a voz exigindo uma reação do governo?”

E eu me peguei sem resposta. Porque, mesmo hein? Não sei a resposta pra isso. Há tanta gente nesse país fazendo um trabalho de formiguinha, tentando dar melhores condições de vida para a população carente, tirando crianças das ruas e mostrando alternativas ao crime e à violência para sobreviver.

Só que isso não é o suficiente! E como é que a gente consegue ficar calado? É isso que me dói.



Escrito por Raquel às 10h47
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continuando...

Antes que alguém diga que é fácil falar estando fora do país, digo que não é fácil, não. Vim para cá não fugindo da violência, mas por opção própria abraçar uma oportunidade que surgiu na minha vida.

E apsar de não fazer planos definitivos na minha vida, tenho cá pra mim que o meu ideal é ter meus filhos no meu país, junto da minha família, criados na minha língua-mãe. Quero filhos Brasileiros, nascidos em solo pátrio e com orgulho daquela bandeira verde-amarela que ostento na minha mesa e na sala da minha casa.

Fui dormir ontem, incapaz de terminar esse texto, e uma luz me apareceu. Em casa, fuçando em blogs amigos, fui cair no Pensar Enlouquece, do Alexandre Inagaki. Grande Alexandre. Não o conheço pessoalmente, mas sua fama vai longe. Eis que me deparo com o seguinte texto:

Gabriela Prado Maia Ribeiro, estudante carioca de 14 anos, quase não saía de casa por medo da violência. Porém, no dia 25 de março de 2003, decidiu pegar o metrô pela primeira vez. Foi também a última: perdida em meio a um fogo cruzado entre um policial e quatro bandidos na estação São Francisco Xavier, morreu atingida com um tiro no peito.

Amanhã, dia 30 de agosto, a estudante Gabriela Prado Maia Ribero completaria 16 anos se estivesse viva. Desde sua morte a família de Gabriela luta por mudanças na legislação penal em vigor. O site Gabriela Sou da Paz luta pela coleta de um milhão de assinaturas oriundas de pelo menos cinco estados brasileiros, a fim de enviar ao Congresso Nacional uma emenda popular modificando essas leis. Até agora, conseguiu cerca de 600 mil assinaturas. Para colaborar com a família de Gabriela, clique aqui e informe seu nome, número de identidade e estado em que reside. ”.

Entrei no link e pensei: é isso! Quer dizer, não é a solução, mas é um começo. Se eu consigo atingir um monte de gente com esse texto, e elas vão até o link e se registram, essas pessoas talvez indiquem para os amigos, que indicarão a outros, e assim por diante...

Então fica aqui o meu apelo. Participem. Assinem a petição. Divulguem. Chega de ficar sentado com a bunda na cadeira recitando o mesmo mantra: “Mas não adianta, ninguém faz nada mesmo”. Chega, pelo amor de Deus!

A gente ainda deve ter algum sangue correndo nas veias! E se eu posso gastar minha energia mantendo esse blog atualizado, eu posso utilizar mais alguns neurônios para fazer alguma coisa pelo meu país!



Escrito por Raquel às 10h44
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Estou de volta... com a pilha renovada. Será?

Oi queridos amigos e visitantes ocasionais. Estou de volta. A apendicite me derrubou por um tempo, mas tudo bem. Disso eu não morro mais! Obrigada pelas mensagens de carinho de todos vocês.

Estou com a corda toda pra voltar a trabalhar e pra escrever aqui. A pergunta que não vai calar é: será que vai durar?

Agora mudando de assunto: Olimpíadas.

Vou ser honesta: é um saco assistir às Olimpíadas na TV americana. Você só consegue ver alguma coisa se tiver um atleta americano competindo. Se não tiver, eles simplesmente não passam. E mesmo assim, ainda podem passar com atraso. O jogo de vôlei de praia masculino, por exemplo, foi transmitido após o final! Ou seja, qual o tesão de assistir se você já sabe que o Brasil derrotou os gringos? E ainda mais, é óbvio que não transmitiram a cerimônia de premiação. Porquê? Ah, porque a bandeira listada e com estrelas não ia subir em primeiro lugar nem o hino yanke ia tocar...

Nem deu pra ver o bandeirão verde-amarelo subindo, saco.

E para terminar, aquela palhaçada na Maratona Masculina. Um padreco f.d.p. (aliás, o ex-padre Cornelius Horan - eita nominho bom para trocadilhos...) resolve que o momento de aparecer e divulgar(!) uma mensagem religiosa é justamente quando o nosso herói Brasileiro, Vanderlei Cordeiro de Lima, que ralou a vida inteira para chegar num momento como aquele, está com 40 segundos de vantagem sobre os competidores, faltando 4 kilômetros para conseguir um ouro inédito para o país, com a prova praticamente ganha.

Será que o imbecil consegue imaginar a falta de apoio, a falta de condições básicas que os atletas brasileiros enfrentam para treinar? Será que ele sabe que só o fato do cidadão estar lá já é uma vitória, ele já é um herói nesse país de gente tão sofrida? E que isso, por si só, já é uma mensagem e tanto?

Ver aquela imagem na TV me deu uma angústia tão grande! Não conheço a história do Vanderlei, mas faço uma pequena idéia do quanto deve ter sido difícil, sacrificante mesmo, para ele estar ali.

Veja bem: para uma pessoa sedentária assumida como eu, só imaginar percorrer a distância de 42 Km me dá preguiça. Mesmo de carro. De bicicleta, só muito inspirada. Mas o cidadão CORRE a distância. Isso em si já é um sacrifício. Confesso que não sei se a história do Vanderlei é exatamente como eu descrevo, mas duvido que seja muito diferente, dadas as condições gerais do esporte no país.

Junte a isso o fato dele ter começado a correr provavelmente sem apoio e patrocínio algum, tendo que provavelmente trabalhar no mínimo 8 horas por dia para garantir o seu sustento e o da família (ou eu diria subsistência?) e ainda chegar em casa à noite para treinar umas 3 ou 4 horas diárias.

Depois temos o preço do equipamento. Tênis de corrida apropriado é caro. Correndo 42 Km, eles devem se desgastar rapidamente. A inscrição das competições. Os custos das viagens para competir. Até que ele atinge notoriedade o suficiente para conseguir um patrocínio e poder respirar um pouco aliviado.

Agora a questão é correr atrás de resultados para manter o patrocínio. Eliminatórias, provas mil. Ele finalmente consegue a tão sonhada vaga na Olimpíada. Ele consegue uma distância absurda em cima de favoritos mundiais. Paul Tergat estava para trás, pelamordedeus!

E vem um padreco safado, sacripanta, biltre, porco imundo, fazer protesto bem na nossa vez de brilhar?

Pôxa, gente! Olimpíada é a cada 4 anos! Porque ele não tentou correr pelado junto do Vanderlei? Teria chamado a atenção do mesmo jeito e não prejudicava ninguém.

Deixo aqui os meus parabéns ao Vanderlei e minha sincera homenagem à sua coragem e dedicação. E à sua capacidade de terminar a prova, sorrindo e fazendo aviãozinho com os braços, celebrando o verdadeiro espírito esportivo.

Ao padre, que arda no fogo dos infernos!

 - fala a verdade, não é bonito? Mas podia ser dourada, né?



Escrito por Raquel às 10h24
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