Marquesi in USA
     
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Aproveitando o inverno

A prefeitura de Detroit tomou uma iniciativa muito legal nesse inverno. Como eles vão sediar a final do Campeonato de Futebol Americano no ano que vem, o famoso Superball, eles criaram um festival de inverno para atrair a população para o centro da cidade, mais conhecido como "Ghost Town".

A festa aconteceu no mesmo final de semana que o Salão Internacional de Detroit, onde as grandes máquinas das montadoras são mostradas ao mundo pela primeira vez. Jogada esperta. Como eram os últimos dias para ver o Salão, o povo já estaria lá mesmo, não custava nada dar uma passadinha.

Fecharam uma praça para abrigar o evento de 3 dias. Winter Blast. Três tendas com shows gratuitos. Artistas locais, não me lembro de nenhum grande nome se apresentando. Arena de patinação no gelo a céu aberto. Árvores de Natal gigantescas enfeitando o local. Uma pista gigante de tobogã na neve. Demonstração de dogsled - mais conhecido como trenó puxado por huskies siberianos. Cachorros fofos e peludos.

Barracas distribuindo chocolate quente de graça e outras vendendo sopas. Ah, tinha também uma competição de escutura na neve, com várias equipes competindo para dar vida aos blocos de gelo.

Muito legal, não fosse um pequeno problema. Pelo menos para mim, brasileira de sangue fino e ainda não completamente aclimatada à tortura do frio de Michigan.

Estava um FRIO DO CAR*&HO! Perdoem o francês. Mas era impossível ficar mais que 5 minutos fora das tendas. Minhas mãos doíam tanto que se alguém batesse nelas, corria o risco de se quebrarem e caírem no chão. Era difícil respirar. A temperatura devia estar por volta dos -15ºC, -18ºC.

Agora me perguntem: o que diabos eu fui fazer lá?

Não sei. Pensei muito sobre isso enquanto me enrolava no cobertor, já de volta à minha casinha, mas ainda não cheguei a uma resposta.

Vai ver não tinha nada de bom na televisão aquele dia...



Escrito por Raquel às 16h51
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Também tem o que eu gosto...

Pra quem acha que eu reclamo demais, também tem um monte de coisas que eu gosto aqui. É que quando eu ponho na balança, as coisas que me são mais importantes, mais caras, não estão aqui, mas do outro lado do Atlântico. Só isso.

Aqui as coisas são muito mais materiais. O conforto é muito grande. Então lá vai uma listinha das coisas que eu gosto:

- Neve! Principalmente porque eu sei que não vou ficar aqui pra sempre, cada vez que ela cai é um espetáculo. Tudo fica tão silencioso, parece que o tempo pára. Não dá pra explicar. Mas ver aquele floco branco caindo, devagar, sem rota definida, é mágico.

- As tranqueiras. Comida tranqueira é com esse povo mesmo. Duas coisa que eu adoro: waffle com calda de maple e uma invenção mexicanizada que leva sete camadas de: pasta de feijão (feijão amassadinho), guacamole, salsa de tomate, sour cream, azeitona, muzzarella ralada e mais uma camada que não consigo me lembrar do que é, mas não deve fazer muita falta mesmo. Bom, muito bom. Perfeito para comer com cerveja. Qualquer coisa que vá com cerveja é bom.

-As cervejas. Calma! Não atirem pedras ainda! Não estou falando de Buds e afins. Mas das cervejas produzidas pelas pequenas cervejarias e que têm até edições temáticas. As famosas Ales, as de trigo, a edição comemorativa do Halloween de abóbora (boa!), e a de chocolate. Fortes, encorpadas, marcantes. Dilícia!

- Cookies. São a minha paixão. Não existe cookie melhor que o americano. Mas tem que ser o tradicional, de açúcar mascavo e pedaços de chocolate. Não me venha com passas e aveia!

- Cheesecake. Se forem da Cheesecake Factory, então eu lambo os beiços. É simplesmente maravilhoso. A consistência é perfeita, a calda é tentadora.

E pra não dizerem que eu só falo em comida:

- O preço dos livros. Num lugar em que os lançamentos não custam mais que $20,00 dólares, fica fácil aumentar a coleção. E passar muito tempo lendo, já que a TV não presta mesmo.

- O preço dos CDs. Mesma coisa. E inclua na lista os DVDs e jogos para videogame (Playstations e afins). É barato, é acessível e todo mundo compra. E ainda assim a pirataria é grande. Imaginem se eles tivessem que pagar os $40,00 por livro, por CD e os $80,00 por DVD que se paga no Brasil. Revolução à vista.

- A Internet de banda larga. Acho que uma das maiores dificuldades de voltar para o Brasil vai ser abrir mão dessa maravilha. Com uma transmissão de 100Mb/s, dá pra baixar arquivo, escrever no blog, conversar no msn, usar a webcam, baixar fotos e ainda ouvir música. Sem perder a taxa de transferência de dados. Internet em real time. Sonho de consumo.

- Poder morar numa casa. O financiamento é muito fácil de se conseguir. E o preço do aluguel de um apartamento de um quarto é praticamente o mesmo que o financiamento mensal de uma casa com 3 dormitórios, com direito a jardim e canteiro de flores.

Acho que já está bom, né? Se eu elogiar mais, vão dizer que fiquei americanizada...



Escrito por Raquel às 16h41
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